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Falta um mês para Niterói receber o 4o Festival de Cinema do BRICS

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Mostra Clássicos trará dez filmes marcantes em cópias restauradas a serem exibidas  no CineArte UFF, representando os cinco países do grupo

Falta exatamente um mês para que Niterói receba o 4o Festival de Cinema do BRICS, realizado pelo Departamento de Cinema da Universidade Federal Fluminense, em cooperação com a Prefeitura Municipal da cidade. Entre os dias 23 de setembro e 9 de outubro, os cincos países do grupo estarão representados em todas as atividades previstas. Um dos destaques é a Mostra Clássicos BRICS, na qual o público poderá assistir, em sessões gratuitas, cópias restauradas de dez filmes marcantes da história dos cinemas brasileiro, russo, indiano, chinês e sul-africano, escolhidos com a curadoria dos professores João Luiz Vieira e Rafael de Luna Freire. Os filmes, de diferentes épocas e estilos, serão exibidos no CineArte UFF, uma das melhores salas do país em termos de qualidade de projeção e som. A mostra permitirá a descoberta de grandes filmes, alguns deles muito pouco conhecidos fora de seus próprios países. “São dois longas de cada país, escolhidos pela curadoria a partir de algumas indicações de cinematecas e dos professores convidados para os cursos de história do cinema do BRICS”, conta o professor e co-curador Rafael de Luna Freire.

Filmes escolhidos para a Mostra Clássicos – Do Brasil, serão exibidos dois filmes: “Ganga bruta” (1933), dirigido por Humberto Mauro, considerado clássico da transição da era silenciosa para o cinema sonoro e tido por muitos críticos como um dos melhores filmes brasileiros já realizados; e “Eles não usam black-tie” (1981), dirigido por Leon Hirszman , a partir da adaptação da peça de Gianfrancesco Guarnieri, protagonista do filme ao lado de Fernanda Montenegro, Carlos Alberto Riccelli e Bete Mendes. Em 1995, ano em que se comemorou o centenário do cinema, “Ganga Bruta” foi escolhido um dos 100 melhores filmes da história, em uma eleição promovida pelo Festival de Berlim. “Eles não usam black tie”, por sua vez, recebeu o Leão de Prata no Festival de Veneza, na Itália.

A Rússia terá como representantes “Fragmento de um império” (Oblomok imperii, 1929), dirigido por Fridrikh Ermler e “Foi em maio” (Byl mesiats mai, 1970), do diretor Marlen Khutsiev. O primeiro é um drama silencioso, restaurado em 2018 por uma equipe internacional de especialistas que incluiu Robert Byrne, presidente do conselho do San Francisco Silent Film Festival, e Peter Bragov, historiador e arquivista que é um dos convidados do festival e ministrará o curso sobre história do cinema russo e soviético. O processo de restauração incluiu a reinserção de uma cena cortada, que mostra um crucifixo de Jesus usando uma máscara de gás. Já “Foi em maio” traz a assinatura de um mestre do cinema russo ainda pouco reconhecido internacionalmente, que morreu em março desse ano, aos 93 anos. O filme conta a história de um grupo de soldados russos em uma pequena cidade alemã logo após o fim da Segunda Guerra Mundial

A China estará presente com um clássico da era silenciosa, “A deusa” (神女, 1934), do diretor Wu Yonggang, e um marco da célebre “Quinta Geração” do cinema chinês, “Sorgo vermelho” ( 红高粱, 1987), dirigido por Zhang Yimou. “A deusa” foi lançado em 1934 pela Lianhua Film Company e é considerado uma das obras-primas da “época de ouro” do cinema da China, contando a história de uma mulher que luta para educar o filho em meio a um cenário adverso de injustiça social e violência. Já “Sorgo vermelho”, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, é o primeiro longa-metragem de Zhang Yimou, expoente de uma geração de cineastas formados nas escolas de cinema da China nos anos 1980, conhecido por filmes como “Lanternas vermelhas” (1991) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004). Dois filmes da década de 1970 representam o cinema da Índia. “Um burro numa aldeia brâmane” (Agraharathil Kazhutai, 1977), dirigido por John Abraham, é uma reflexão sobre a sociedade de castas a partir da história de um burro que circula por uma cidade dominada pela Brâmane. Já “A tenda do circo” (Thampu, 1978), do diretor G. Aravindan, foi todo realizado com artistas de um circo ambulante e filmado no estilo documental do cinema direto, profundamente influente na época.

Da África do Sul serão apresentados “Volte, África” (Come Back, Africa, 1959), dirigido por Lionel Rogosin, e “Tolos” (Fools, 1997), do diretor Radaman Suleman. “Come Back, Africa” foi filmado clandestinamente e é uma contundente denúncia sobre o Apartheid e a opressão dos negros. É uma mistura de ficção e documentário, com um acentuado realismo, que dialoga com o cinema brasileiro da mesma época. Já “Tolos” é o primeiro filme de Radaman Suleman e foi premiado com o Leopardo de Prata no Festival de Locarno, na Suíça. “Tolos” é o primeiro filme sul-africano produzido, realizado e protagonizado por negros, e que não é majoritariamente falado em inglês. Situado em Charteston, município na periferia de Joanesburgo, Fools centra-se no encontro casual dos dois protagonistas: o professor de meia-idade Duma Zamani (Patrick Shai) e Zani Vuthela (Hlomla Dandala), ativista e irmão de uma aluna que foi estuprada por Zamani. Os dois se envolvem em um processo de autocrítica e questionamento de identidade e responsabilidade social, na África do Sul no fim dos anos 1980.

MOSTRA CLÁSSICOS BRICS

Local: Cine Arte UFF: Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói.

Período: 2 a 9 de outubro*

Entrada gratuita

Filmes: “Ganga bruta” (Brasil, dir. Humberto Mauro, 1933) “Eles não usam black-tie” (Brasil, dir. Leon Hirszman, 1981) “Fragmento de um império” (Rússia, Oblomok imperii, dir. Fridrikh Ermler, 1929) “Foi em maio” (Rússia, Byl mesiats mai, dir. Marlen Khutsiev, 1970) “A deusa” (China, 神女, dir. Wu Yonggang, 1934) “Sorgo vermelho” (China, 红高粱, dir. Zhang Yimou, 1987) “Um burro numa aldeia brâmane” (Índia, Agraharathil Kazhutai, dir. John Abraham, 1977) “A tenda do circo” (Índia, Thampu, G. Aravindan, 1978) “Volte, África” (África do Sul, Come Back, Africa, dir. Lionel Rogosin, 1959) “Tolos” (África do Sul, Fools, dir. Radaman Suleman, 1997)

Para acessar a programação completa* do 4o Festival de Cinema do BRICS www.bricsfilmfestival.com.br * A programação pode ser alterada sem aviso prévio

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Cine Arte UFF
Cine Arte UFF

Assessoria de Imprensa

Flávia Clemente [email protected]

Thalita Queiroz [email protected]

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